Fonte: ilustração do episódio feita pelo próprio GlauberRocha
Texto baseado em Almanaque do Brasil
Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1965. Engravatados de todo o continente reuniam-se no hotel Glória. A cidade sediava um encontro da Organização dos Estados Americanos (OEA). Do lado de fora, oito rapazes, também de terno, mostravam não concordar com as decisões das comitivas internacionais.
“Abaixo a ditadura”, lia-se na faixa estendida por Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Heitor Cony, Antonio Callado, Flávio Rangel, Mário Carneiro, Márcio Moreira Alves e Jaime Rodrigues. O último era embaixador; os demais, grandes nomes do cinema, teatro, literatura e jornalismo. Glauber Rocha, por exemplo, participou do Cinema Novo no Brasil, movimento baseado no neo-realismo italiano e na Nouvelle Vague francesa (esta última marcada por Jean-Luc Godard e François Truffaut).
Foram todos em cana. Manifestos pipocaram pelo Brasil – e os signatários também foram inscritos no Dops. A prisão ganhou repercussão internacional. Até que o presidente Castelo Branco recebeu um protesto via telegrama. Remetente: vários cineastas franceses. Não dava para fichar Truffaut e Godard. Sem conseguir segurar a pressão, depois de 23 dias, o governo liberou o “octeto da Glória”.
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